IELB & DIPA

IGREJA EVANGÉLICA LUTERANA DO BRASIL - IELB

A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) foi fundada em 24 de julho de 1904, em Rincão São Pedro do Sul, perto de Santa Maria, RS, como 15° Distrito da Igreja Luterana Sínodo de Missouri (LCMS) dos Estados Unidos da América (na época se chamava: 15° Distrito da Deutsche Evangelisch-Lutherische Synode von Missouri, Ohio und andren Staaten = Sínodo Evangélico Luterano Alemão de Missouri, Ohio e outros Estados). No Brasil, esse sínodo passou a usar, inicialmente, o nome de Distrito Brasileiro do Sínodo de Missouri. A ata de fundação foi assinada por 14 pastores, oito votantes e seis deliberativos, 10 congregações, das quais oito votantes e duas deliberativas e um professor, contando com aproximadamente 3 mil almas. O Distrito Brasileiro declarou-se em acordo com os Estatutos da LCMS, sendo assim uma Igreja Confessional em contraposição ao Sínodo Rio-Grandense, fundado em 1886,  mais liberal.       

A Comunidade Evangélica Luterana Cristo, fundada em 1902, sob o nome de Deutsche evangelisch-lutherische Gemeinde zu Porto Alegre = Congregação Evangélica Luterana Alemã de Porto Alegre -  participou como fundadora da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, sendo representada pelo seu pastor Rev. Wilhelm Mahler, o leigo Joseph Beckel e o prof. Henry Wilke. O  pastor Mahler, foi eleito o primeiro presidente desse Distrito. Ele já era o encarregado da Lutheran Church Missouri Synod (LC-MS) como diretor da missão no Brasil. Por ocasião da visita do presidente do Departamento de Missão da LC-MS, Rev. Ludwig Lochner, o pastor Mahler visitou com ele todas as congregações, convocando para a Conferência de Fundação, nos dias 23 a 27 de junho de 1904. Durante suas muitas viagens, o Rev. Frehner o substituía nos trabalhos da comunidade. O Rev. Frehner veio da Suíça e se desligara do Sínodo Rio-Grandense por motivos de consciência. Anos mais tarde, no dia 13 de abril de 1920, o distrito registrou seus estatutos próprios sob o nome de Sínodo  Evangélico Luterano do Brasil, adquirindo, em 9 de setembro de 1937, sua personalidade jurídica. Em 27 de janeiro de 1954, reorganizou seus estatutos sob o nome de Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).      

Os pastores fundadores eram pastores vindos dos Estados Unidos da América do Norte e da Alemanha; bem assim também os membros eram imigrantes vindos da Alemanha, da Polônia, da Bielo Rússia, Ucrânia, etc. A língua usada nos cultos era a língua alemã e/ou o dialeto alemão pomerano, o que facilitou a missão, pois não precisavam aprenderam logo o português para poderem atuar. Mas logo  aprender o português e pregaram no idioma nacional.    

A Comunidade Evangélica Luterana Cristo participou, desde o início, ativamente dos destinos da IELB. Quatro de seus pastores ocuparam a presidência da IELB: Rev. W. Mahler (1904-1910 ), Rev. Augusto Heine (1913-16 ), Rev. Emil F.  Mueller, (1916-20), Rev. Johannes F. Kunstmann (1921-22). O Rev. Martim E. Doege, como vice presidente (1982-86), ocupou a presidência por ocasião da ausência do presidente Johannes Gedrat, que passou meio ano nos Estados Unidos, entre 1/7 a 31/12 de 1986. Além disto, leigos da comunidade participaram ativamente de diversos departamentos e comissões na IELB.      

O Rev. W. Mahler foi um pastor muito dedicado, zeloso pela doutrina, com uma extraordinária visão missionária. Ele declinou da presidência em 1910, para dedicar-se mais à sua Comunidade Cristo,  à Escola Concórdia, bem como ao Instituto Concórdia (Seminário Concórdia), que fora transferido de Bom Jesus para a Comunidade Cristo de Porto Alegre, onde reabriu no dia 1° de maio de 1907; e a sua tarefa de redator do periódico “Kirchenblatt. 

Fundamento Doutrinário

A IELB, mesmo sendo uma Igreja nova, tem suas raízes na Santa Igreja Cristã Apostólica Católica. Ela aceita e proclama o que recebeu de Cristo. Por isso afirma em seus Estatutos, Artigo 3°: “A IELB aceita todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas, do Antigo e do Novo Testamento, como palavra infalível, revelada por Deus. Como única exposição correta da Escritura Sagrada, ela aceita os livros simbólicos da Igreja Evangélica Luterana, reunidos no Livro Concórdia do ano mil quinhentos e oitenta (1580), e não admitirá alteração alguma desta norma.” A Escritura Sagrada, a Bíblia, é a genuína palavra de Deus, única fonte da verdade e autoridade na cristandade de todos os tempos. Seus livros simbólicos, reunidos no Livro de Concórdia, como a Confissão de Augsburgo, o Catecismo Maior e Menor, a Fórmula de Concórdia, entre outros, são a confissão da verdade bíblica e   a expressão da verdadeira unidade cristã, conforme recomendada pelo apóstolo Paulo em sua carta aos efésios:“Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” (Ef 4.3) Esses esforços não consistem em arranjos e concessões, em busca de uma unidade negociada, mas conclamam a fidelidade à palavra de Deus. Nesse respeito sentimo-nos unidos a todos os que, em todos os tempos, confiam na graça de Cristo, revelada na palavra de Deus, que formam a única, Santa Igreja Cristã.     

A IELB não se vê simplesmente como uma denominação religiosa, mas como um sínodo. Há uma diferente entre ambos. Uma denominação se caracteriza por sua estrutura administrativa, na qual a doutrina é algo secundário. Sínodo quer dizer caminhar juntos. Nessa caminhada interessa a fidelidade à doutrina bíblica. O que nos une é a doutrina, a confissão. Por essa razão, em nossas Convenções nacionais ou regionais, não predominam discussões administrativas, mas os estudos da doutrina.

Distrito Porto-alegrense

Por ocasião da fundação da IELB, foram criadas três Conferências Pastorais: Região Sul, Região Noroeste e Região Porto Alegre. À medida  que a IELB foi crescendo e surgindo novas congregações, foram organizados novos distritos. No ano 1970, o Distrito Porto-alegrense se estendia ainda até Caxias do Sul. Em fins do ano 2000, o Distrito Porto-alegrense é formado em Porto Alegre pelas Comunidades: Cristo, bairro São Geraldo, São Paulo, Jardim Ipiranga, Da Cruz, bairro Petrópolis, Concórdia, bairro Mont`Serrat, Martinho Lutero, bairro Glória, Paz, Morro da Cruz, Jesus Salvador, bairro Cavalhada, que engloba Ipanema e  Campo Novo, (menos a Comunidade São Lucas, bairro Ipiranga e Da Cruz, Jardim Floresta), Da Paz, bairro Sarandi, São Paulo, Parque dos Maias, Castelo Forte, Jardim Leopoldina e as comunidades de outros municípios: Cristo Redentor, de Viamão, São João Batista, de Guaíba, a Paróquia Jesus Salvador, de Butiá, que engloba a comunidade de Charqueadas e Arroio dos Ratos; a paróquia São Mateus, de Tapes, que engloba Sertão Santana, Bandeirinhas, Linha Nova e Cerro Grande do Sul; a paróquia Da Paz, de Camaquã, que engloba Chácara Velha, Santa Auta, Vila Aurora, Bonito, Capela Velha; num total de 15 paróquias, 25 pastores e 7.703 almas.      

Ao longo da história, três dos pastores da Comunidade Cristo ocuparam os cargos de conselheiros distritais: Rev. Reinhold J. I. Mueller, de 1903 a 1904; Rev. Martim E. Doege, de 1976 a 1980;  Rev. Horst R. Kuchenbecker, de 1987 a 1989 e de 1999 a 2001.      

A importância de manter uma supervisão nas comunidades foi notada já no tempo dos apóstolos que instituíram bispos como supervisores, normalmente escolhidos entre os pastores  mais idosos e experimentados, para supervisionar com conselhos, admoestações e incentivos pastores e comunidades. No tempo de Lutero, o Eleitor Frederico pediu a Lutero que fosse fazer uma visitação às novas congregações. Por essa razão, o Sínodo de Missouri, desde cedo, se organizou em forma de distritos pastorais.      

Hoje, cada distrito, conforme os artigos 102 a 111 do Regimento Interno da IELB de 1998, é dirigido por um Conselho Distrital. Cada distrito escolhe entre seus pastores, um como conselheiro e um como vice-conselheiro (de 1904 a 1965, chamado de visitador), um leigo como  líder distrital e outro como vice-líder, um secretário e um tesoureiro, que podem ser leigos ou pastores. Normalmente procura-se, na diretoria, um equilíbrio entre pastores e leigos, a saber três pastores e três leigos. Eles têm a incumbência de visitar as congregações e/ou paróquias, analisar com as diretorias locais o andamento do trabalho. Ao pastor conselheiro cabe, especialmente, a tarefa de rever os sermões dos outros pastores e zelar pela fidelidade doutrinária e vida santificada dos pastores.

Detalhe  

O pastor Johannes F. Kunstmann veio dos Estados Unidos a Porto Alegre em 1915, para ajudar na formação de pastores. Em 1922, recebeu chamado da Comunidade Cristo para ser, também, o seu pastor. Ele foi uma personalidade marcante, muito inteligente e incansável trabalhador. Uma grande bênção para a comunidade, o distrito, o seminário e a Igreja. Em determinada altura, além de ser presidente da Igreja, era também tesoureiro da Igreja, do Colégio Concórdia, do Seminário Concórdia, da Comunidade Cristo e de suas próprias finanças. A esse respeito, o sr. Arthur Mager relata o seguinte episódio: “Eu estive conversando com o pastor Kunstmann no seu gabinete, quando sua esposa entrou e pediu  200 reis para comprar verdura. O pastor respondeu com sua voz forte: Já de novo dinheiro. - Bem, disse a esposa, se não tem, não teremos verdura na mesa. - O pastor abriu a gaveta, procurou e entregou a ela os  200 reis. Tomou um pedaço de papel e em estenografia rabiscou uns pontos de traços e jogou na gaveta. Ao sair, a esposa do pastor disse ao sr. Mager: “Não se impressione. A voz dele é rude, mas o coração é bom. Nós esposas sempre somos os pára-raios, quando eles estão nervosos.”        

Passados alguns meses, alguns membros queriam uma prestação de contas do pastor Kunstmann, tanto do caixa do colégio, do seminário, da comunidade e da Igreja. Bem, isso era difícil. O pastor prometeu entregar a contabilidade, mas o adiava de mês a mês. Certo dia a comissão foi bem enérgica com ele. Então ele entregou uma caixa com anotações. Era impossível pôr isso em ordem. Alguns queriam condenar o pastor. Um senhor mais idoso da comissão disse: "Vejam! Nós temos um ótimo e mui esforçado pastor e professor. Ele não é desonesto. O que aconteceu foi que nós o sobrecarregamos. Sugiro o seguinte: Vamos ajudar a pôr tudo isso em ordem e se pairarem algumas dúvidas, cabe ao amor encobrir a desordem e aliviá-lo dessa carga. Vamos nomear tesoureiros para as diferentes caixas. Assim foi feito. E os trabalhos caminharam ordenadamente.      

O presidente do Sínodo Brasileiro, Rev. F.J.Busch, escreve (Kirchenblatt, n° 17, p. 134): “Só podemos nos alegrar sobre o que está acontecendo em nossa Escola de Profetas, louvar e agradecer a Deus, que nos concedeu tão esforçados e capacitados professores...  sobretudo ao querido, esforçado e consciencioso Rev. Joh. F. Kunstmann, desta Escola de Profetas e presidente do Sínodo Brasileiro. Sobre sua atuação como tesoureiro do Sínodo durante 5 anos e mais um ano como substituto do tesoureiro, a comissão revisora do Sínodo atesta: “Encontramos o livro Caixa em perfeita ordem com todos os comprovantes. Tudo foi entregue na mais perfeita ordem ao tesoureiro Rev. Paulo Schelp” (23/12/1922). Isto atesta a fidelidade, a dedicação e o trabalho consciencioso do Rev. Johannes F. Kunstmann.      

Queira Deus, em sua graça, manter nossa Comunidade Cristo, nosso distrito e nossa Igreja fiéis à doutrina, no fervor missionário para a salvação de muitas almas e a glória de Deus.   

Texto do Rev. Horst R. Kuchenbecker - extraído do Livro do centenário da CELC.