MUITAS BATALHAS

Lutero saiu do Castelo de Wartburgo, como já vimos, para resolver os problemas em Wittenberg. Mas isso era apenas parte de muitos outros maiores e mais graves problemas que surgiriam posteriormente e se alastrariam por toda a Alemanha.

A maioria da população da Alemanha, por essa época, era constituída de camponeses, ou agricultores. Pouquíssimos deles possuíam um pedaço de terra seu. Até mesmo as "terras comuns", que eram usadas coletivamente pelos camponeses, eram propriedade dos nobres. Os preços e ps impostos cresciam. Para os camponeses, era cada vez mais difícil alimentar e vestir suas família. Se fossem apanhados tentando obter comida extra ou lenha para o fogo nas florestas dos nobres, poderiam ser condenados à morte. Para a maioria deles, a vida era uma verdadeira escravidão.

Houve várias tentativas de revolta por parte dos camponeses alemães. As últimas dessas tentativas foram em 1514, mas os nobres sempre as sufocavam. Quando os camponeses ouviram sobre a luta de Lutero com o papa, começaram a perguntar-se: "Se este monge pode se levantar contra o Estado e a Igreja e prevalecer, por que nós não podemos?"

Quando Lutero escrevia e falava sobre a "liberdade do cristão", ele tinha em mente a relação do homem com Deus. Os camponeses, porém, entendiam com isso que eles eram livres para mudar suas leis e condições de vida.

Lutero tinha falado conta a ganância dos príncipes e dos eclesiásticos (a igreja tinha inúmeras propriedades naquela época) e os tinha advertido sobre problemas futuros. Nas não era intenção de Lutero que os camponeses usassem de violência para produzir reformas. Ela acreditava que a pregação livre do evangelho operaria uma mudança nos corações dos não homens. Quando o povo cresse no evangelho, não mais haveria logro, espancamento e escravização de um cristão pelo outro. Lutero disse aos camponeses que tivessem paciência e que não usassem da violência para fazer reformas.

Apesar disso, a revolta estourou em junho de 1524. Começou no sudoeste da Alemanha e logo se alastrou pelo resto do país e pela Áustria. Os camponeses prepararam uma lista de exigências e a entregaram aos governantes. Esta lista de exigências se tornou conhecida como "Os Doze Artigos". Lutero achava que as exigências contidas nos Doze Artigos eram justas e que os governantes deviam concordar com elas. Novamente ele exortou os camponeses a que não tomassem a lei em suas próprias mãos. Ao mesmo tempo repreendeu os governantes por seus maus tratos para com os camponeses.

Até então tinha havido pouco derramamento de sangue. Mas aí alguns agitadores entraram em ação. Thomas Muenzer disse aos camponeses da Saxônia que não dessem ouvidos a Lutero, ao mesmo tempo que os exortava a que destruíssem as propriedades dos nobres e matassem os príncipes e sacerdotes iníquos. Outros líderes fizeram o mesmo e, em breve, toda a Alemanha estava engolfada nas chamas da revolta. Somente na Alemanha central, mais de quarenta mosteiros e castelos foram destruídos.

Quando Lutero tomou conhecimento de toda essa depredação, ele ficou muito irado com os rebeldes. Ele escreveu tratado intitulado "Contra as Hordas Assassinas dos Camponeses" no qual ele convocava os governantes a que destruíssem, sem qualquer misericórdia, o populacho revoltado.

Enquanto isso, os governantes tinham reunido tropas regulares e marchado em luta armada contra os regulares e marchado em luta armada contra os amotinados. Uma a uma as tropas de camponeses foram derrotadas e seus chefes mortos. Em 1526, a revolta dos camponeses tinha sido completamente sufocada.

Quando os camponeses descobriram que Lutero os tinha chamado de "ladrões e "assassinos" exigindo a sua destruição, muitos não quiseram mais saber dele. Lutero, também, sofrera uma mudança inferior. Daí em diante ele entregou mudança interior. Daí em diante ele entregou aos príncipes e nobres a responsabilidade pela direção administrativa das novas igrejas.

As novas igrejas estavam tendo um bom começo. O Imperador Carlos V estava ausente, combatendo o seu inimigo maior, a França, mas os príncipes alemães continuaram convocando suas dietas. Todos falavam sobre o "problema luterano", mas não chegavam a um acordo quanto ao que fazer para resolvê-lo. Os inimigos de Lutero queriam reforçar o Edito de Worms, mas seus muitos amigos não permitiram que isso acontecesse. Assim, cinco anos depois da Dieta de Worms, nada ainda fora feito. Lutero continuava pregando e ensinando em Wittenberg sob a proteção do Eleitor da Saxônia.

Alguns dos príncipes católicos resolveram unir forças com a finalidade de varrer o luteranismo da Alemanha. Quando souberam disso, os príncipes luteranos formaram a Liga de Torgau. Todos concordaram em lutar, em vez de abrir mão de sua nova fé. Agora, a Alemanha inteira estava dividida em duas facções: católicos e luteranos.

Quando a dieta se reuniu em Espira em 1526, os católicos e luteranos firmaram um importante acordo. Concordaram em que cada príncipe controlaria os negócios da igreja em seu próprio território conforme bem lhe parecesse. Isso significava que os príncipes católicos só permitiriam a existência da igreja católica e os luteranos apoiariam apenas a nova igreja de Lutero. O Imperador Carlos V não gostou do arranjo, mas pouco poderia fazer sobre a questão até terminar suas guerras com a França.

Passaram-se mais três anos e os luteranos continuaram crescendo e se fortalecendo. Em 1529, a segunda Dieta de Espira aprovou outra importante decisão. Nos estados luteranos, tanto luteranos como católicos gozariam de liberdade de culto, mas nos estados católicos apenas os católicos teriam esta liberdade.

Como é evidente, os príncipes luteranos pronunciaram-se contra a unilateralidade da decisão. "Protestamos, diante de Deus e dos homens, que não concordaremos com qualquer coisa que vá de encontro à palavra de Deus", disseram eles numa declaração oficial. Por causa disso foram chamados protestantes", um nome ainda usado por muitos cristãos que não concordam com os ensinos da fé católica romana.

Ainda em 1529, Lutero teve um encontro com Ulrico Zwínglio em Marburgo. Zwínglio estava levando a efeito uma reforma das igrejas na Suíca, em muito parecida com que Lutero estava realizando na Alemanha. Filipe de Hesse, um príncipe luterano, achava que seria melhor se todos os grupos reformados unissem suas forças. Com isso em mente, fez os arranjos para o encontro, na esperança de que as partes chegassem a um acordo em todas as questões importantes.

Lutero e Zwínglio separaram-se sem ter conseguido qualquer conciliação.

Fonte: www.ielb.org.br