NASCIMENTO E INFÂNCIA DE LUTERO

10 de novembro de 1483 certamente era um dia frui em Eisleben, Alemanha. Não obstante, no lar de Hans e Margarete Lutero havia animação e felicidade. Deus lhes tinha dado seus primeiro filho, um menino.

Com apenas um dia de idade, o menino foi levado à igreja pelo pai, Hans. Ele queria que seu filho fosse batizado e se tornasse filho de Deus. 11 de novembro era o dia dedicado a São Martinho de Tours; em sua homenagem, o menino recebeu o nome de Martinho.

Hans Lutero trabalhava numa mina de cobre perto de Eisleben. Com seu minguado salário, mal podia sustentar sua família. Seis meses depois do nascimento de Martinho. Mudaram-se para Mansfeld, poucos quilômetros distante de Eisleben. Hans tinha esperança de que as minas ali fossem mais ricas. Trabalhava arduamente e fazia economias. Margarete Lutero ajudava a poupar dinheiro ajuntando lenha na floresta.

O lar de Hans e Margarete foi grandemente abençoado pelo Senhor. Com o tempo, nasceram-lhe oito filhos. Quando Martinho tinha 17 anos, seu pai já possuía casa própria e atuava no ramo da mineração por conta própria. Os moradores de Mansfeld tinham tal apreço por ele que o elegeram membro da Câmara Municipal.

A família de Lutero era temente a Deus. Faziam devoções no lar à igreja regularmente. Mas, como outras crianças do seu tempo, Martinho não tinha aprendido a conhecer Jesus como um Salvador bondoso e de amor.

Qual o pensamento de Lutero acerca de Jesus? Mais tarde ele escreveria: "O treinamento recebido em minha mocidade foi de tal sorte que eu empalidecia à simples menção do nome de Cristo. Ensinaram-me a vê-lo como um juiz irado e severo. Ensinavam-nos de que tínhamos de pagar pelos nossos próprios pecados. E visto não podermos fazer isso, éramos encaminhados aos santos para que apelássemos a eles. Se rezássemos à querida mãe Maria, diziam, talvez ela pudesse desviar a ira de Cristo e nos obter misericórdia". Mas Martinho não tinha realmente certeza de que podia receber misericórdia e perdão.

A família de Lutero acreditava em muitas das superstições herdadas de seus antepassados. Essas estórias falavam de espíritos malignos, de bruxas e duendes que pregavam peças nas pessoas e provocavam tempestades e doenças. Martinho ouvia sua mãe se queixar de que uma bruxa lhe tinha provocado dores e que um duende tinha feito o leite azedar. Ele acreditava nestas lendas e tinha muito medo dos poderes das trevas e de demônios.

Como a maioria dos pais daqueles dias, Hans e Margarete Lutero eram muito rigorosos. Ai do Martinho se bancasse o malcriado! Certa vez ele tirou uma noz sem pedir. A mãe deu-lhe uma surra tão violenta que ele chegou a sangrar. Outra vez, levou uma surra tão forte dos pais que ficou por um bom tempo afastado do pai até que este conseguiu reconquistar o seu amor.

Mas no lar de Lutero havia mais riso do que lágrimas, mais como canto do que choro. Hans e Margarete amavam seus filhos e faziam aquilo que julgavam melhor para eles. Martinho também amava seus pais e os respeitava como representantes de Deus.

Quando tinha quatro anos e meio, Martinho começou a freqüentar a escola de Mansfeld. Um menino mais velho geralmente o acompanhava, porque Martinho era vários anos mais novo do que os outros principiantes.

As escolas daquele tempo eram muito diferentes das nossas de hoje. Os meninos aprendiam a ler e falar a língua latina. Os sacerdotes ou estudantes universitários que os ensinavam eram muito rigorosos. Se um menino se comportasse mal ou não soubesse a lição, seu nome era escrito numa lousa chamada de "lista do lobo". Semanalmente o professor apagava a lista depois de dar uma varada no aluno cujo nome aparecia na lista. Certa vez Martinho teve uma semana nada fácil – seu nome apareceu 15 vezes na "lista do lobo".

Às vezes um menino esquecia e falava alemão. Se pilhado, tinha de pôr uma máscara de burro até que apanhasse algum outro no mesmo erro. Claro, isso significava mais uma surra ao fim de semana.

Mesmo assim, os meninos respeitavam seus professores. Eles sabiam que tinham de aprender latim afim de poderem ingressar na universidade. O latim era usado nas igrejas, pelos advogados e funcionários do governo. Assim, os meninos consideravam essas tundas como parte de sua vida escolar.

Nos seus primeiros anos escolares, Martinho aprendeu os Dez Mandamentos, o Credo, o Pai Nosso, a Confissão dos Pecados e a Ave Maria. Os principiantes recitavam suas lições seis vezes por dia na escola. Em casa, seus pais os ajudavam a aprender palavras em latim.

Pelo sexto ano, Martinho sabia muito bem o seu latim. Já estudava também matemática, história, retórica, composição, literatura e música religiosa. Foi treinado para ser um membro leal da igreja e estava pronto para prosseguir até a colação de grau.

Fonte: www.ielb.org.br