POR QUE ESTUDAR LUTERO?

Você é cristão – alguém que deposita sua confiança em Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Há milhões de cristãos no mundo. Nem todos eles, porém, crêem exatamente as mesmas coisas sobre Jesus ou sobre os ensinos da Bíblia. Todos os cristãos, embora membros de diversas igrejas cristãs e embora possuindo doutrinas e práticas diferentes, querem todos seguir o mesmo Senhor e Mestre.

Alguns cristãos são chamados luteranos porque sabem que os ensinos acerca de Jesus e da vida eterna que são apresentados por Martinho Lutero são ensinamos da Bíblia; as Escrituras são seu único fundamento. Na Bíblia, Lutero descobriu que o homem é salvo pela graça, mediante a fé no Filho de Deus. A vida eterna é um Dom gratuito de Deus àqueles que confiam em Cristo como aquele que os salva do pecado e da morte.

 

Neste breve resumo da vida de Lutero veremos como Deus pode usar seres humanos pecadores para realizar a sua obra sobre a terra. Martinho Lutero foi um servo especial de Deus, assim como os apóstolos e profetas dos tempos antigos. Através dos profetas e apóstolos, Deus deu ao seu povo a mensagem de vida e de perdão; através de Lutero, Deus restaurou essa mensagem ao seu lugar central.

Estudamos Lutero para crescermos e sermos fortalecidos na fé. Crescemos na fé quando ouvimos o evangelho que nós é pregado e quando recebemos os santos sacramentos. Crescemos na fé também através do nosso contato com os grandes vultos cristãos, porque neles podemos ver o de que o evangelho – poder de Deus – é capaz. Lutero foi um desses grandes vultos cristãos. O estudo da sua luta espiritual e da sua vida ajuda-nos a perceber a gloriosa graça de Deus.

Quando Cristóvão Colombo partiu em sua primeira viagem à América, Lutero contava com apenas nove anos de idade. Lutero nasceu em 1483, quase 15 séculos após o nascimento de Jesus em Belém.

Os ensinos de Jesus tinham sido espalhados por toda parte pelos seus primeiros discípulos. Outros pregadores e mestres fiéis levaram o evangelho a muitas terras, de modo que dentro de poucos séculos após a subida de Cristo aos céus, a maioria das pessoas na Europa e no Oriente Médio era cristã.

Mas os cristãos não permaneceram unidos. No ano de 1054, a igreja dividiu-se em dois grandes grupos: a Oriental, ou Igreja Ortodoxa Grega; e a Ocidental, ou Igreja Católica Romana. Estas duas igrejas ainda estão separadas atualmente. De tempos em tempos, grupos menores de cristãos se separavam destes dois corpos religiosos principais por defenderem diferentes convicções ou modos de adoração. Isso já vinha acontecendo muito tempo antes de Lutero nascer.

Na época de Lutero, alguns dos ensinamentos de Cristo não estavam mais sendo seguidos. A missa tinha substituído a santa ceia; o povo acreditava que na celebração da missa, Jesus era novamente sacrificado e que o pão e o vinho eram transubstanciados no corpo e no sangue de Cristo. O sacerdote bebia o vinho e apenas o pão era dado ao povo.

Os cristãos eram levados a pensar em Jesus como um juiz irado e não como um Salvador amoroso. Ensinava-se às pessoas a orar a Maria, mãe de Jesus, para que ela pedisse aos seus filhos que fosse misericordioso e clemente. Outros santos poderiam ser invocados para ajuda especial.

A igreja ensinava que, mesmo que os pecados fossem perdoados, era necessário fazer reparação por eles. Por exemplo, o povo devia rezar o rosário muitas vezes, como uma maneira de compensar as suas más ações e pecados.

Ninguém, nem mesmo o papa, podia estar certo de que "pagara" os seus pecados durante esta vida. Dizia-se, por isso, que depois da morte, todo cristão ia para um lugar conhecido como purgatório. (A palavra "purgatório" significa lugar onde as pessoas são purificadas"). Nesse lugar a pessoa devia sofrer pelos seus pecados antes que pudesse ir para o céu.

Quanto mais boas obras uma pessoa pudesse praticar nesta vida, tanto mais rapidamente ela poderia sair do purgatório para o céu. Por isso, o povo fazia peregrinações ou viagens a lugares santos, como, por exemplo, Jerusalém e outras partes da Terra Santa. Ia a santuários, onde as relíquias dos santos – coisas como roupas, ossos, cabelos ou objetos semelhantes – estavam guardados. E acreditava que ver, tocar e rezar diante dessas relíquias era praticar uma boa obra.

O povo do tempo de Lutero vivia dominado pelo temor do purgatório e do inferno. Essa gente nunca conseguia estar em paz e feliz. Todo mundo acreditava que depois da morte teria de passar muitos anos sofrendo, antes de poder ir para o céu. A família e os amigos da pessoa falecida tinha sacerdotes para dizer missas na igreja, a fim de abreviar a permanência da pessoa no purgatório. Havia gente que deixava grandes somas em dinheiro para a igreja, a fim de que, após sua morte, pudessem ser rezadas muitas missas em seu favor.

Foi num mundo assim, dominado por esses temores e superstições, que Martinho Lutero nasceu. Faremos aqui uma regressão ao tempo em que Lutero viveu, de 1483 a 1456. Veremos como Deus ajudou seu servo a levar a efeito a grande obra de reformar a igreja. Aprenderemos sobre as muitas bênçãos que Deus nos tem dado através de Martinho Lutero, de modo a podermos dar graças e louvor por elas ao Senhor da igreja.

Fonte: site da IELB