“Eu estava cantando... ele me pediu!”
Meu esposo e eu estávamos tensos. Visitar alguém num quarto em isolamento no hospital, nos inquieta.
Como vou encontrar o doente? E seus familiares?
Batemos à porta, de leve. Nada. Batemos um pouco mais forte. Então a porta se abriu e a senhora, toda paramentada com roupa branca e máscara no rosto, tirando-a, sorriu para nós e mostrando o Hinário na mão, disse:
“Eu estava cantando hinos com ele; ele me pediu.”
No mesmo instante, uma paz invadiu meu coração. Não importava o estado em que o encontraria, eu sabia que a paz de Deus estava naquele quarto do sexto andar do hospital.
Você já sentiu essa angústia que eu senti? Um aperto no coração... o medo de não saber o que dizer, como consolar. Eu havia me preparado mentalmente para falar sobre o amor de Deus, a confiança nas promessas que ele fez para momentos difíceis... e eis que ali me deparei com uma mulher sorridente, cheia de confiança e esperança, o que me tranquilizou, e que falou com vibração da bondade de Deus na vida deles.
Meu esposo e eu cantamos junto, conversamos, oramos e nos despedimos. Voltamos felizes por termos vivido momentos tão edificantes ali. A visão daquela senhora toda de branco, sorrindo, com o Hinário na mão... eu não vou esquecer nunca.
Pensei... Como é importante ter uma bagagem acumulada da Palavra de Deus, das promessas, dos cantos, e poder lançar mão dessa bagagem para enfrentar os momentos difíceis da vida. Não armazenamos, no entanto, palavras de vida do dia para a noite, mas no uso contínuo do Manual da Vida, a Bíblia. Aquele casal havia armazenado e utilizou-se dessa bagagem naquele quarto de isolamento, buscando no fundo da mente, palavras de conforto e confiança no amor de Deus.
Eu preciso buscar mais... armazenar mais para mim mesma e para repartir.
Eu não sei nada sobre o meu dia de amanhã... só Deus sabe!
E você, armazenou?
Tu já pensaste nisso?
Eu nem havia pensado nisso...
Rosemarie Kunstmann Lange
Fev.2009
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